A crise não vai derrubar o Brasil

O economista Ricardo Amorim analisou o comportamento político-econômico do País e classificou de "exagerado" o pessimismo interno.

A vice-presidência de Incorporação e Terrenos Urbanos do Secovi-SP, que é conduzida pelo empresário Emílio Kallas, recebeu o economista Ricardo Amorim durante reunião mensal da área, no dia 15/10.

Amorim trouxe uma visão otimista para o setor imobiliário, segmento da economia dependente de crédito e confiança para operar, assim como o automobilístico. Ele ressaltou a intenção, e as tentativas, de o governo "colocar a casa em ordem" equilibrando a balança comercial e controlando a inflação, mesmo que para isso tenha desvalorizado o real e aumentado os juros. Na avaliação do economista, o Banco Central começará a cortar a Selic no final de 2016.

De acordo com os índices apresentados por Amorim, o preço do dinheiro tem despencado no mundo todo e há 15 países com taxa de juros negativa. Porém, isso não atrai ivestidores, porque essas economias não registraram crescimento em virtude do baixo consumo interno.

"Quem ganha com o custo de capital baixo? Os emergentes."

PIZZA- O Brasil é um dos mais fortes entre os cinco países emergentes. "Com a casa em ordem, os investidores voltarão para cá. Para nós, a festa não acabou", disse. O que está em vias de chegar aos seus capítulos finais, de acordo com ele, é a crise política.

Conforme Amorim, o juíz do Supremo Tribunal Federal responsável pela Lava Jato, Sérgio Moro, adotou os mesmos ritos da operação italiana de combate à corrupção "Mãos Limpas": investigação de agentes privados; divulgação de informações para chocar a opinião pública; delação premiada; e chegada aos nomes de políticos corruptos. "Brasília está em polvorosa e se a pressão da opinião pública for forte, não acabará em pizza", opinou.

Ele traçou dois possíveis cenários político-econômico para o País. O primeiro teria a adoção dos ajustes ficais, Congresso Nacional controlado, retomada do crédito e da confiança já em 2016. Ou então a piora econômica, o aumento do desemprego, a queda acentuada da popularidade da presidente Dilma Rousseff, culminando com a perda da base aliada no  Congresso o que significa ingovernabilidade. "Seja qual for a situação o Brasil não ficará no fundo do poço e eu acredito, inclusive, que estamos muito próximos da virada", disse.

BOLHA- O economista contestou a existência de uma bolha imobiliária no Brasil. "A falta de demanda para a venda de imóveis atualmente se resolve com a retomada da confiança.  

Investe-se muito pouco em construção civil. Só não construímos menos do que África do Sul", mencionou Amorim.

Para ele, não é correto comparar as nossas condições internas com as dos Estados Unidos no período da bolha imobilária, em 1998. "A cada 90 imóveis vendidos nos países emergentes, vende-se um nos Estados Unidos ou na Europa", comparou Amorim, para quem as grandes oportunidades surgem no momento de crise.

Ele concluiu sua palestra com um recado aos empresários presentes: "Se a sua empresa está capitalizada, invista em projetos futuros porque o momento é agora. Nunca desperdicem uma boa crise".