Praia Grande terá plataforma logística com 17 mil vagas de emprego

André Ursini, CEO do Complexo Empresarial Andaraguá. / Nair Bueno /DL

Após onze anos, perspectiva é que o Complexo Empresarial Andaraguá comece a ser erguido neste semestre.

A partir de março as audiências públicas que visam a instalação do Complexo Empresarial Andaraguá deverão ser retomadas em Praia Grande. Após onze anos, a perspectiva é que o projeto plataforma logística comece finalmente a ser erguido ainda no primeiro semestre, absorvendo a mão de obra local e promovendo desde já parte da ambiciosa geração de emprego prevista pelo prefeito Alberto Mourão no município: 17 mil nos próximos dez anos.

Para conversar sobre a perspectiva de crescimento regional e os impactos da obra, o Diário conversou com André Ursini, CEO do complexo Empresarial Andaraguá, eleito pelo Desenvolve SP como um dos dez principais projetos de desenvolvimento econômico do estado.

Confira a entrevista exclusiva.

Diário do Litoral- O que é o Andaraguá?

André Ursini- As pessoas costumam dizer que é o aeroporto de Praia Grande, mas na verdade ele é uma plataforma logística que integra os modais rodoviário, ferroviário- pois a linha férrea que desce a serra e vai para o Porto de Santos passa pelo nosso terreno-aéreo e o marítimo, pois estou a 17km do Porto de Santos. Ele então é uma plataforma logística dotada de modal aéreo. Na minha aprovação posso operar aviação geral, que é tudo menos passageiros. A ideia é evitar com que a matéria -prima que chega ao Porto de Santos vá para o interior ou São Paulo Capital para virar produto e voltar ao Porto para ser exportada. Queremos que essa economia fique na Baixada, gere emprego e que a região volte a ter um cenário forte de produção.

 

Diário do litoral- O que está previsto dentro do Andaraguá?

André Ursini- Teremos área logística, torre comercial, torre de hotel, área com 87 lojas e a Fundação Andaraguá, que será responsável pela qualificação. Lá terão Centro de Pesquisa de Tecnologia e Centro de Pesquisa de Meio ambiente. Ela é baseada no mesmo princípio que aconteceu no Vale do Silício, que é trabalhar com as três hélices: universidade, empresa e recurso. Vamos qualificar mão de obra, dar oportunidade para o pequeno empreendedor, criar agência de fomento, desenvolvimento e startups. Ela é totalmente voltada para o desenvolvimento econômico da Baixada Santista.

Diário do Litoral- O projeto atende a demanda de preservação ambiental?

André Ursini- Faremos mais de 2 quilômetros de via marginal que passará pelo empreendimento. Lá, também funcionará o Parque da Biodiversidade, que será a preservação de 70% da nossa área e a ideia é criar a figura do guarda de parque, que faça trilhas guiadas e visitas ecológicas, em parceria com a Prefeitura de Praia Grande. Nossa energia também será limpa, fotovoltaica. Vamos gerar 80 megas, sendo que o empreendimento consumirá 40.90% da água será reutilizada na Estação de Tratamento de Efluentes que existirá dentro do complexo. Além, disso, carros elétricos estarão disponíveis dentro do empreendimento.

 

Diário do Litoral- Quando o senhor prevê o início das obras? 

André Ursini- Acredito que até o fim do primeiro semestre deste ano. Com a autorização a obra começa no dia seguinte. A obra é enorme e fizemos um estudo de demanda que conclui que a cada dois anos entregaremos uma fase, sendo que no total serão cinco. A primeira será a pista do aeroporto e mais ou menos 250 mil metros de galpões e a cada dois anos faço uma nova fase com 200 mil metros de galpões. O funcionamento será a partir da primeira fase, que tem 30 meses por conta da infraestrutura e a cada 24 meses vamos implantando. É um projeto de implantação total de 10 anos.

 

Diário do Litoral- Qual a perspectiva de abertura de postos de trabalho?

André Ursini- No início falávamos em 15 mil, agora já são 17 mil. Isso porque ele é um projeto vivo e o mercado vem sofrendo transformações. A gente imagina que daqui dez anos muita coisa mudará. 

 

Diário do Litoral- Além da geração de empregos. quais outros impactos o projeto trará para a Baixada Santista?

André Ursini- Com essa quantidade de empregos, o desenvolvimento será regional, mas temos um compromisso com a cidade de Praia Grande de absorver muito da mão de obra local.

Iremos qualificar moradores especificamente para cada seguimento de trabalho. Acredito que a Padre Manoel seja o Rodoanel da Baixada, pois por ele é possível cruzar os nove municípios sem passar por dentro de nenhuma cidade. O eixo de desenvolvimento econômico da região está nesse lugar, pois é onde existem áreas disponíveis para isso. Se você pegar o PIB da Baixada, 72% está em três municípios apenas: Guarujá, Santos e Cubatão, em razão do Porto.

Os outros cinco respondem por apenas 25% e Bertioga apenas 3%. Com Andaraguá vamos aumentar 20% o PIB dessas cinco cidades. O impacto econômico é extraordinário. Faremos uma transformação principalmente nos municípios do Litoral Sul a partir de São Vicente.